• Dr Marden Marinha

A Mente se inclina em oração e .... se cura!

Por

Drª Ana Vianna & Dr. Marden Marinha

Médicos Psiquiatras


A relação entre religião e ciência sempre foi objeto de tensão na história da Humanidade. A visão entre elas depende da época ao longo dos séculos, trazendo diferentes visões acerca da religião e da ciência, a depender concepções filosóficas, sociopolíticas e econômicas vigentes. Mas será que existe perdedor ou vitorioso ao final?


Estudos de neurociências comprovam que a oração tem ação sobre o sistema mesolímbico, liberando substâncias que nos permitem ter a sensação de pertencimento, melhoram a autoestima e proporcionam uma grande sensação de bem-estar.


Dentre as substâncias acima está a ocitocina, propagada como o hormônio do amor. A ocitocina pode influenciar o comportamento, influenciando as relações sociais, participando de processos como generosidade e empatia. Tem ação sobre as emoções, como os relacionamentos amorosos e o ato sexual. Outras atuações periféricas desse hormônio são produzir as contrações no momento do parto e na ejeção do leite materno durante a amamentação.


Regiões do sistema límbico, como hipotálamo, amígdala e septo, participam de vias ocitoninérgicas. Essas regiões estão envolvidas na produção de emoções básicas nos animais inferiores e superiores, tais como medo, ansiedade, fome e saciedade. Interessante constatação é a relação da ocitocina, do CRH (Hormônio Corticotrófico) e da vasopressina, hormônios produzidos no núcleo paraventricular do hipotálamo, onde a ocitocina parece atuar indiretamente, produzindo ação anti-estressora.

Estudos indicam que a ocitocina também “permite” confiança social e apego, e nos permite um sentimento de bem-estar, apesar de vivermos em um mundo de ameaça. É a ideia do “posso contar com algo para me proteger”. Então, quando surge uma situação e você está sem ideias e desamparado, se sentindo muito parecido quando era um bebê, a oração pode fornecer uma fonte de esperança. A oração pode nos ajudar como a psicoterapia. Quando vamos a uma sessão de terapia, nós vamos para contar o que vai no nosso coração, na certeza de que alguém está ali para nos ouvir. E que essa pessoa não vai apenas nos ouvir, mas também nos ajudar a encontrar um caminho melhor a ser seguido, uma nova forma de pensar, de lidar com nossos problemas. E quando abrimos o nosso coração para Deus é exatamente isso que acontece. Por isso a oração funciona!


A oração, como demonstra a Figura 2, ativa a região do cérebro relacionada à emoção, em especial, o lobo frontal e o sistema límbico. Áreas responsáveis pelas funções cognitivas e comportamentais, e quando respectivamente ativadas, a emoção fica aflorada.


Ressaltamos que o conhecimento do impacto que as crenças religiosas têm na etiologia, diagnóstico e evolução dos Transtornos Psiquiátricos, ajudará a nós, psiquiatras a compreender e tratar melhor nossos pacientes. Parafraseando, Carl Gustav Jung-Discípulo religioso de Freud:” Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.




Os artigos científicos ratificam a importância do fator espiritualidade na saúde psíquica e os resultados positivos dessa interação na prática clínica, como estratégia em saúde mental. A OMS também se refere à espiritualidade como uma faceta do ser humano remetente a questões como o significado e o sentido da vida, não se limitando a qualquer tipo específico de crença ou prática religiosa (Volcanet al; 2003). Dalgalarrondo et al, 2004, examinaram 2287 estudantes de quatro escolas públicas e 3 escolas privadas. O uso de tabaco, álcool, medicamentos e drogas ilícitas foi investigado. Os autores concluíram que estudantes sem vinculação religiosa tinham uso significativamente maior de drogas ilícitas.

Investigações sistemáticas a partir dos anos 1990, passaram a demonstrar que a religiosidade pode ter efeito protetor contra o desenvolvimento de vários transtornos psiquiátricos, além de ajudar na recuperação da depressão fazendo com que as pessoas consigam lidar melhor com fatores estressantes (LARSON el al, 1992; KOENIG et al,1993; KOENIG et al, 2004).


A oração ativa partes do cérebro envolvidas na autorreflexão e no auto equilíbrio, por isso mesmo funciona aumentando a confiança e fornecendo um sentimento de ser consolado que alivia a nossa inquietude, as nossas dúvidas, as nossas tristezas e as nossas agonias.


Por isso, ela não pode ser uma vã repetição de palavras, como nos ensina Jesus no Sermão do Monte: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” (Mateus 6:7). A palavra vã significa “vazia” ou “inútil”; então Jesus está nos advertindo de que repetir frases sem valor em nossas orações não as ajudará a serem ouvidas por Deus. Nosso Pai Celestial não se preocupa com a contagem de palavras, expressões poéticas ou mantras. Ele deseja a “verdade no íntimo” (Salmo 51:6).


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