• Dr Marden Marinha

Caminhos para o tratamento

Atualizado: 12 de Mai de 2020

As soluções para o transtorno são diversas e dependem da intensidade dos sintomas e das necessidades de cada pessoa



A ansiedade patológica é aquela que interfere no funcionamento do indivíduo, causando distorções na percepção e confusão nas relações pessoais e temporais. Para manter as crises sob controle e viver bem, mesmo com o transtorno, é importante que haja o apoio de um profissional, que poderá indicar os melhores caminhos para a solução ou gerenciamento do problema. Caso seja ignorada, a ansiedade pode acabar causando prejuízos à vida das pessoas, tanto de quem a possui quanto daqueles ao redor desse indivíduo.


Auxílio terapêutico

Quando falamos em TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada), precisamos entender que há os fatores biológicos e psicossociais. Ao nos concentrarmos nas questões psicossociais, as principais escolas de pensamento são a cognitivo- -comportamental e a psicanalítica. “Na primeira, busca-se melhor compreender as percepções de perigo, que no TAG geralmente encontram-se distorcidas, concentradas em detalhes negativos do ambiente e com alterações no pensamento e na compreensão de fatos e informações. Já a psicanálise concentra seus esforços na compreensão da ansiedade como um sintoma de conflitos inconscientes não resolvidos”, explica o médico Marden Marinha. De acordo com o profissional, a terapia cognitiva-comportamental tem demonstrado melhor eficácia no tratamento do TAG. No entanto, qualquer abordagem é capaz de auxiliar as pessoas com ansiedade, como declara a psicóloga Berta Sheila de Souza Ribeiro: “Existem diversas abordagens, e elas trabalham com seus referenciais e técnicas buscando tornar o ser mais consciente de si, dessa forma, são capacitados a realizarem melhores escolhas e posicionar-se melhor diante das adversidades”, pontua.


Já conhece a hipnose?


Segundo Alessandro Baitello, professor e especialista em hipnose, a mente guarda toda a nossa história. Nessas lembranças, estão o que aprendemos sobre certo e errado, ética e moral e também sobre nossa visão de vida. Por isso, iniciar sessões de hipnose pode ajudar ao proporcionar pontos positivos em todas as situações, inclusive para quem possui a ansiedade em níveis mais altos. A hipnose é feita em clínicas, geralmente aliada com sessões de terapias, e é parecida com um relaxamento. “Basta fechar os olhos, respirar profundamente e focar sua atenção em alguma coisa boa, como um momento agradável, uma viagem ou um pôr do sol, por exemplo”, explica a psiquiatra Sofia Bauer. “Ao fazer este relaxamento com foco em algo bom, podemos ajudar a pessoa a menear sua ansiedade mostrando através dos pensamentos novas atitudes que ela poderá ter daqui para frente, como novos programas de vida ou novos hábitos”, conclui especialista.


Medicamentos

Uma vez que a ansiedade passa a comprometer a qualidade de vida do paciente e é identificada como um transtorno, os profissionais da área podem indicar a terapia medicamentosa, ou seja, remédios para auxiliar no problema. “Isso geralmente ocorre quando a ansiedade passa a causar alterações nos padrões fisiológicos, como mudanças no sono no apetite, na organização de pensamento e na capacidade de tomar decisões, além das manifestações somáticas (taquicardia, sudorese, sensação de formigamento, alteração de preção). Costumamos, então, junto ao processo terapêutico, associar o tratamento com remédios e o suporte do médico psiquiatra”, afirma Berta. Os compostos mais comuns prescritos são os ansiolíticos, isso é, os tranquilizantes, tanto benzodiazepínicos (BZD) quanto não-BZD, e também os antidepressivos, estabilizadores de humor e antipsicóticos. Quando a intenção é uma redução rápida dos sintomas, as drogas mais usadas são os benzodiazepínicos. Já para uma resposta a longo prazo, usa-se medicação antidepressiva chamada de inibidor seletivo de recaptação da serotonina, substância produzida naturalmente pelo organismo e responsável pelo humor. “Muitas vezes, o que se faz é combinar essas duas medicações no começo do tratamento porque os antidepressivos demoram algumas semanas pra fazer efeito. Nesse tempo, é possível controlar a ansiedade da pessoa com benzodiazepínico. Na medida em que a medicação antidepressiva está funcionando, começa a surtir o efeito terapêutico. Assim, se retira gradualmente o benzodiazepínico”, explica o psiquiatra Mario Louzã. Existe um grande debate sobre até que ponto os remédios fazem bem ou mal ao organismo. No entanto, o que se deve destacar é o uso correto de cada prescrição, sempre com acompanhamento médico. “Os medicamentos ansiolíticos podem servir de complemento ao tratamento psicoterápico, nos casos mais graves, pois seu uso limita-se ao controle momentâneo, e não a sua cura. Dessa forma, nos casos graves, os medicamentos podem ser úteis para aliviar o sofrimento do paciente enquanto ele realiza seu tratamento psicoterápico”, opina o psiquiatra Leonard F. Verea.


“Os medicamentos ansiolíticos podem servir de complemento ao tratamento psicoterápico, nos casos mais graves, pois seu uso limita-se ao controle momentâneo, e não a sua cura”

Leonard F. Verea, médico psiquiatra


Trabalho conjunto

As chamadas terapias complementares, tais como meditação, acupuntura e yoga, podem ajudar – e muito! – no controle do TAG. “Elas facilitam a integração do sistema corpo-mente, gerando um estado de consciência e disciplina que reeducam a forma de cada pessoa lidar com seus agentes estressores”, garante Berta. Essas terapias complementares, associadas ao processo terapêutico, possuem resultados mais rápidos, já que geram uma tomada de consciência corporal e comportamental, reorientando tanto o modo de agir quanto as formas de responder às dificuldades e desafios cotidianos. Porém, a aposta somente nessas terapias vai depender do comprometimento da qualidade de vida que o indivíduo possua. A acupuntura, por exemplo, é uma técnica milenar da medicina tradicional chinesa que se baseia no princípio de que existe uma energia vital que circula por todo o corpo humano por meio de determinados canais – uma falha nesse fluxo de energia seria a causa dos problemas de saúde. O método consiste na aplicação de agulhas em determinados pontos do corpo, a fim de pressionar os locais que ajustam os canais energéticos e reestabelecer o equilíbrio do organismo, auxiliando na cura de doenças físicas e emocionais, como a ansiedade. As agulhas estimulam a liberação de substâncias analgésicas, anti-inflamatórias e relaxantes, atuando sobre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico. Não há contraindicações à acupuntura e até mesmo quem não apresenta nenhuma doença pode se aproveitar dos benefícios do tratamento. Desde 2006, com o advento da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), a técnica passou a ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


''As terapias complementares facilitam a integração do sistema corpo-mente, gerando um estado de consciência e disciplina que reeducam a forma de cada pessoa lidar com seus agentes estressores”

Berta Sheila de Souza Ribeiro, psicóloga



Novas opções de tratamento


COACHING O coach (um tipo de treinador, como um técnico nos esportes) é uma pessoa que trabalha por um prazo determinado visando ajudar uma pessoa a encontrar e desenvolver seu potencial numa determinada área. MENTORING O mentor é uma pessoa mais graduada que acompanha o desenvolvimento de uma pessoa iniciante numa determinada atividade ou profissão. Esse acompanhamento inclui orientação técnica e pessoal a longo prazo. TUTORING O tutor é também uma pessoa mais graduada que orienta o desenvolvimento de um iniciante num numa determinada atividade. Entre o mentor e o tutor a diferença não é muito significativa: em geral se pensa no mentor como alguém que faz um trabalho mais abrangente e no tutor como alguém que faz um trabalho mais focado. Em ambos os casos, a ideia é que seja uma relação um-para-um, ou seja, o mentor e o tutor “cuidam” de uma pessoa apenas. COUNSELING Em geral, o conselheiro é alguém à disposição dos alunos numa universidade para fazer uma orientação em algum ponto específico que o estudante sinta que não está indo bem, ou que pode orientar numa situação de conflito entre professor e aluno. Nestas 4 situações citadas acima, o papel da pessoa que exerce a função está limitado às questões mais da vida prática da pessoa que recebe tais ajudas. Em geral, não se aprofunda muito nos aspectos pessoais do indivíduo, menos ainda em questões psicológicas ou emocionais. Muitas vezes quando o (um desses profissionais) percebe que a pessoa precisa de um aprofundamento em suas questões e conflitos emocionais, encaminha-a para uma psicoterapia. Neste caso, o psicoterapeuta (em geral um psicólogo ou um psiquiatra devidamente habilitado tanto em suas profissões quanto em uma determinada teoria e técnica psicoterápicas) é o profissional capacitado a abordar tais aspectos mais “íntimos” da pessoa e ajudá-la a lidar melhor com eles.


Mindfullness


Aprenda com Daniela Sopezki, mestra em psicologia clínica e instrutora de mindfulness, a “prática dos três minutos”, uma das formas de aplicar a técnica: 1. Tomada de consciência Relaxe e feche os olhos. Em seguida, pergunte-se: “Qual é a minha experiência agora? Qual a sensação em meu corpo neste momento?”. Permita-se perceber todas as sensações em seu corpo. “Reconheça a sua experiência, mesmo que seja indesejada”, sugere a especialista. 2. Centralização Redirecione suavemente sua atenção para a respiração. Respire e expire, prestando atenção nos movimentos. “Sua respiração pode funcionar como uma âncora para trazê-lo para o presente e ajudá-lo a entrar em sintonia com um estado de consciência e quietude”, explica. 3. Expansão Enquanto respira, amplie o campo de sua consciência. Perceba sua postura, os sons do ambiente e sua expressão facial. Então, verifique como se sente. Exercícios Contra



CONSULTORIA Alessandro Baitello, fundador da Rede Clínica da Hipnose, professor e especialista em hipnose; Berta Sheila de Souza Ribeiro, psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Anhanguera de Niterói; Daniela Sopezki, mestra em psicologia clínica e instrutora de mindfulness; Leonard F. Verea, médico psiquiatra; Marden Marinha, médico e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria; Mario Louzã, psiquiatra; Sofia Bauer, psiquiatra e autora dos livros Manual de Hipnoterapia e Cartilha do Otimismo.


Revista Segredos da Mente - CÉREBRO E ANSIEDADE

Texto e entrevistas - Juliana Borges, Giovana Sanches e Jéssica Pirazza/Colaboradora


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